Fundo Amazônia apresenta balanço no momento que completa 15 anos de existência
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(Brasília-DF, 11/06/2026) Nesta quinta-feira, 11, na abertura da 36ª Reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), realizada na sede da ApexBrasil, em Brasília foi apresentado o balanço da atuação do mecanismo do Fundo Amazônia.
O Fundo Amazônia quadruplicou o ritmo anual de aprovação de projetos desde a retomada de sua governança, em 2023. A média anual de aprovações saltou de cerca de R$ 300 milhões, entre 2009 e 2018, para R$ 1,3 bilhão no ciclo recente. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fizeram a apresentação do balanço.
Criado para transformar os resultados do Brasil na redução do desmatamento em cooperação internacional concreta, o Fundo Amazônia chega aos 18 anos como a maior e mais bem-sucedida iniciativa de REDD+ do mundo em volume de recursos e resultados. O mecanismo soma R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados, com atuação voltada à prevenção, ao monitoramento e ao combate ao desmatamento, além do apoio à restauração florestal, à regularização ambiental e territorial e à produção sustentável.
Entre 2023 e 2025, a média anual desembolsada chegou a R$ 224 milhões, acima da média de R$ 206 milhões registrada entre 2010 e 2018. O crescimento ocorre após a reativação da governança do Fundo, a recriação da estrutura dedicada ao mecanismo no BNDES e a definição de novas diretrizes para aplicação dos recursos, em alinhamento com as políticas públicas de combate ao desmatamento e desenvolvimento sustentável da Amazônia.
“O governo do presidente Lula retomou a governança do Fundo Amazônia, reconstruiu a confiança internacional e devolveu ao Brasil o protagonismo na agenda global de proteção das florestas. O resultado está nos números: desde o início da nossa gestão no BNDES, o Fundo voltou a ter escala, direção estratégica e presença na ponta, apoiando desde a fiscalização e o combate a incêndios até a restauração, a sociobioeconomia e o fortalecimento de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Como anda
Nessa quarta-feira, 10, o Reino Unido anunciou seu segundo desembolso para o Fundo Amazônia, no valor de 40,7 milhões de libras, se tornando o segundo maior doador. O anúncio ocorreu em evento no Palácio do Planalto durante a apresentação das ações em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente de 2026. Na ocasião, o BNDES também comunicou o lançamento dos editais Recaatingar e Sanear Indígena e o avanço de novas operações com recursos do Fundo Clima.
A carteira atual está organizada em eixos estratégicos de alto impacto. Em restauração florestal, o Restaura Amazônia destinou R$ 450 milhões a 12 chamadas públicas, das quais nove já foram concluídas, com seleção de 45 projetos. As iniciativas alcançam 26 Terras Indígenas, 80 assentamentos e oito Unidades de Conservação, com foco na recuperação de áreas degradadas no território historicamente mais desmatado da Amazônia.
Nas atividades produtivas sustentáveis, o Fundo reúne R$ 1,1 bilhão em projetos para inclusão social e produtiva de pequenos agricultores, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. As ações beneficiam mais de 90 mil famílias, envolvem mais de 300 organizações locais e estão presentes nos nove estados da Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão Amazônia na Escola, acesso à água, chamadas públicas para atividades sustentáveis, além de parcerias com Conab, Sebrae e projetos estruturantes.
Na regularização fundiária e ambiental, são R$ 433 milhões destinados a quatro projetos emblemáticos: Caminhos Verdes, União com Municípios, Pará Mais Sustentável e Paz no Campo, no Maranhão. As ações alcançam os nove estados da Amazônia Legal, com mais de 10 milhões de hectares georreferenciados, mais de 40 mil famílias beneficiadas e iniciativas de regularização em 20 territórios quilombolas.
Prevenção e combate a incêndios
O Fundo Amazônia também ampliou o apoio à prevenção e ao combate a incêndios florestais, com R$ 521 milhões em ações que abrangem 14 estados e três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Desse total, R$ 371 milhões foram destinados ao fortalecimento dos Corpos de Bombeiros nos nove estados da Amazônia Legal e R$ 150 milhões ao manejo integrado do fogo no Cerrado e no Pantanal. A carteira prevê 500 veículos, 33,8 mil equipamentos de uso individual, 5 mil pessoas capacitadas e 30 bases operacionais.
Outro eixo prioritário é o fortalecimento da fiscalização, do controle e do monitoramento ambiental. O Fundo destinou R$ 826 milhões ao Ibama para ampliar a capacidade de prevenção, detecção, fiscalização e responsabilização por infrações ambientais, com uso de helicópteros, drones de alta tecnologia, veículos, inteligência artificial e novos sistemas. A carteira inclui ainda R$ 319 milhões para o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), com atuação nos nove estados da Amazônia Legal e apoio a forças de segurança federais e estaduais.
“O Fundo Amazônia chega aos 18 anos com escala, direção estratégica e presença na ponta. Os recursos apoiam desde a fiscalização e o combate a incêndios até a restauração, a sociobioeconomia, a regularização territorial e o fortalecimento de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. É uma carteira que protege a floresta e, ao mesmo tempo, melhora a vida de quem vive nela”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
A agenda indígena soma R$ 386 milhões, com 13 projetos e apoio a 167 Terras Indígenas. O Fundo também ampliou sua atuação junto a comunidades quilombolas, com o Naturezas Quilombolas, que destina R$ 33 milhões não reembolsáveis ao fortalecimento da gestão territorial e ambiental de 40 territórios quilombolas da região amazônica. Também está aberto o Prêmio Fundo Amazônia Conhecer e Reconhecer, que vai premiar 50 projetos liderados por indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, com até R$ 50 mil por iniciativa.
A retomada do Fundo também permitiu ampliar a base de doadores internacionais. Até 2018, o mecanismo contava com dois doadores, Noruega e Alemanha. A partir de 2023, novos contratos e anúncios elevaram esse número para nove doadores internacionais, incluindo Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, Suíça, Japão, Dinamarca e Irlanda. Desde janeiro de 2023, foram R$ 2,4 bilhões em novos acordos e anúncios, sendo R$ 2 bilhões já contratados e R$ 600 milhões a contratar.
"A Noruega apoia esse Fundo desde o início. Mas nós costumamos pensar que não apenas apoiamos, também somos parceiros. Estamos muito contentes porque sabemos que já há resultados bastante importantes obtidos durante esses 18 anos. E a Noruega vai continuar a apoiar. Estamos comprometidos com esse trabalho de longo prazo", disse o embaixador da Noruega, Kjetil Elsebutangen.
Desde a retomada, o Fundo vive seu melhor momento operacional. O período de 2023 a 2026 responde por 57% de todas as aprovações e contratações da história do mecanismo. Em quantidade de operações, a média passou de dez projetos aprovados por ano, no período anterior, para 15 projetos anuais entre 2023 e 2025, aumento de 50%. O Fundo já beneficia mais de 650 organizações, 169 Terras Indígenas, 192 Unidades de Conservação e 260 mil pessoas.
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O balanço foi apresentado durante a programação “Fundo Amazônia 18 Anos: Resultados que Transformam”, realizada nos dias 11 e 12 de junho, na ApexBrasil, em Brasília, em formato híbrido e com apoio da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, que atua junto ao Fundo Amazônia por meio de cooperação técnica e financeira desde 2010. A agenda reúne representantes do MMA, do BNDES, da ApexBrasil, dos países doadores, de órgãos federais, estados, municípios, instituições de pesquisa, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil.
A programação inclui debates sobre regularização ambiental, prevenção e controle do desmatamento, sociobioeconomia, ciência, tecnologia e inovação, além do papel de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na proteção da floresta. As atividades seguem até sexta-feira, 12, e integram as celebrações pelos 18 anos do Fundo Amazônia.
( da redação com informações da Ag. BNDES. Edição: Política Real)